Luiz ótimo notícias

Monday, August 14, 2006

O câncer de colo de útero sofrido pelas mulheres de todo mundo, é o terceiro maior caso de câncer em todo Brasil, sendo vencido apenas pelo de pele e o de mama. A boa notícia vem do Food and Drug Administration (FDA, órgão norte-americano responsável pela regulamentação de alimentos e medicamentos). A entidade acaba de aprovar uma vacina preventiva para a doença, a primeira do tipo contra um câncer. "Trata-se de um avanço muito importante. Podemos comparar o surgimento da vacina ao anticoncepcional oral. Vai modificar a história da mulher", relata Bernadete Nonnenmacher, ginecologista do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), que participou dos estudos para o desenvolvimento da vacina. "É uma vacina de impacto mundial, mesmo em países desenvolvidos onde a prevenção é adequada. Além disso, é preciso frisar que essa é a primeira vacina contra um câncer", explica David Salomão Lewi, médico infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein e professor da disciplina de Infectologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A função da vacina é estimular a produção de anticorpos para cada subtipo de HPV. A proteção depende da quantidade de anticorpos produzidos pela pessoa.

O QUE É HPV?O contágio pelo HPV (vírus do papiloma humano), em relações sexuais sem proteção, é um dos principais fatores desencadeantes da doença e de lesões - na pele ou mucosa - precursoras nos órgãos genitais masculino e feminino. Normalmente, elas têm crescimento limitado e regridem de forma espontânea. Existem mais de 200 subtipos diferentes de HPV, mas somente os de alto risco estão relacionados com cânceres. Embora as infecções clínicas mais comuns estejam nos órgãos genitais, estudos comprovaram que, embora de forma rara, os vírus podem ser encontrados na pele, laringe (cordas vocais) e no esôfago. Outro dado importante é com relação ao câncer do colo do útero. Apesar de o vírus HPV ser encontrado em cerca de 90% desse tipo de tumor, somente uma pequena parcela das mulheres infectadas desenvolverá o câncer. Estimativas apontam que esse número seja inferior a 10%.O uso da camisinha durante a relação sexual diminui a possibilidade de transmissão do HPV, mas não a evita totalmente. Por isso, a multiplicidade de parceiros aumenta o risco de contrair o vírus. Grande parte das infecções é assintomática e de caráter transitório, o que faz com que muitas pessoas não saibam que estão contaminadas. Quando surgem lesões ou verrugas, diversos tratamentos podem ser oferecidos, mas isso depende da avaliação médica. Até o momento, a medicina não dispõe de nenhum tratamento eficaz para o mal.
COMO É O TRATAMENTO? Estudos indicam que até 80% das mulheres, com vida sexual ativa, serão infectadas por algum tipo de HPV em determinado momento da vida. No Brasil, em especial, estima-se que cerca de 25% das mulheres estejam infectadas pelo vírus. Diante dessa realidade, os estudos que avaliaram a vacina foram conduzidos somente com mulheres que não estavam infectadas. Os médicos defendem que o medicamento seja aplicado antes do início da vida sexual.Para a imunização são necessárias três doses, sendo a segunda aplicada um mês após a primeira e a terceira, e última, ministrada seis meses depois da segunda. A aprovação do FDA é destinada a mulheres entre 9 e 26 anos de idade. Durante o acompanhamento não foram observados efeitos colaterais graves. "O que aconteceu foi o normal, uma dor leve no local da aplicação, dor de cabeça e febre ligeira. Ela é super segura", informa Bernadete.Para aprovar a vacina com essa indicação etária, o laboratório submeteu ao FDA estudos com meninas entre 10 e 15 anos de idade em comparação com adolescentes e jovens adultas entre 16 e 23 anos. Os resultados foram bastante semelhantes e motivaram o órgão norte-americano a estender a aprovação. Outro ponto importante relacionado à vacina diz respeito à mulher infectada. Os médicos informam que se a paciente estiver infectada somente com um tipo de HPV, vale a pena tomar a vacina para se proteger dos demais.
NO BRASIL: Além dos Estados Unidos, outro país que já aprovou o uso da vacina foi o México. No Brasil, a documentação já foi submetida à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a aprovação pode sair ainda neste mês. Isso não significa, no entanto, que a vacina estará disponível de imediato no Sistema Único de Saúde. Com um custo elevado - em torno de US$ 100 a dose - muitas negociações deverão ser feitas para que o produto seja disponibilizado de forma gratuita para a população. Já existe uma movimentação em torno dessa possibilidade, mas é necessário aguardar. "Haverá uma gestão para que ela seja disponibilizada. O governo não tem tantos recursos para custear no preço atual. O mesmo fato ocorreu quando lançaram a vacina para hepatite B, com o tempo ela ficou mais barata", avalia Lewi.
VACINA NÃO DESCARTA PREVENÇÃO: Esse tipo de vacina é um marco na prevenção de doenças sérias e que causam um trauma psicológico muito grande nas mulheres. Entretanto, não acaba com a necessidade de se prevenir com o uso da camisinha e de exames ginecológicos. "A prevenção deve continuar. Só que, uma vez instituída a aplicação da vacina, haverá queda de infecção de HPV e de lesões atribuídas ao vírus", informa Lewi. O mesmo alerta é dado pela ginecologista do Rio Grande do Sul. "A vacina previne contra quatro tipos. Embora sejam os mais freqüentes, ela não libera as mulheres do rastreamento clínico, pois existem outros tipos de HPV", orienta Bernadete.
SERVE PARA HOMENS? Inicialmente, a aprovação do FDA é destinada a mulheres. Estudos, porém, já estão em curso para avaliar a eficácia da vacina em homens. Segundo informou a ginecologista Bernadete Nonnenmacher, inicialmente serão acompanhados homens heteros e homossexuais. A intenção é verificar a performance do medicamento na prevenção de infecções no pênis e no ânus. A partir do próximo ano, os resultados destes estudos devem ser apresentados. "Eu mesma já estou vacinando alguns homens. Mas ainda estamos estudando os efeitos", informa Bernadete.

1 Comments:

Blogger ana paula said...

ótimo, luiz :)
vou virar espectadora assidua das suas notícias.
só espero que você apareça, ok?
:*

9:10 PM  

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